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O valor da orientação em processos seletivos

Introdução

Sabemos que a habilidade de lidar com a crítica é uma competência a ser trabalhada em todas as pessoas. Mesmo quando oficialmente pedimos uma crítica sincera, estamos realmente preparados para recebê-la? Em processos seletivos não é diferente: Recrutadores sabem exatamente da necessidade/cenário da empresa contratante, encontram profissionais com bom fit, os conduzem a adequações necessárias em seu material e boom — tais orientações nem sempre são seguidas. No artigo de hoje veremos porque isso acontece e como proceder nesse caso.

 

 

Adequando-se à vaga

É natural para UX/UI Designers, por não saberem exatamente qual será o próximo grande passo na carreira e quem são as pessoas/empresas avaliando seus portfolios, que mostrem toda a sua experiência em diversos setores, tipos de projetos, etc. — Afinal, em algum desses cases espera-se que exista identificação com uma determinada oportunidade — e não há, absolutamente, nada de errado nisso. Imagine que há um UX/UI Designer com um fit interessante a uma vaga para atuar em uma empresa financeira, sem ter experiência nesse setor. É claro que a falta de experiência específica não o desqualifica (pois esse não é o único fator determinante em sua contratação), mas pode colocá-lo um passo atrás dos “concorrentes” que possuem tal experiência. Qual seria seu próximo passo? Desistir? De jeito nenhum. O próximo passo seria pensar em como supervalorizar seus demais conhecimentos e experiências, para suprir a falta da experiência específica. Chamamos esse processo de “adequação à vaga” — Onde seu interesse na vaga é tão genuíno e real, que toda crítica ou orientação vinda do recrutador será usada como um booster ao objetivo de ser contratado.

Listo abaixo algumas orientações que normalmente passamos a UX/UI Designers em processos seletivos:

 

Alinhamento de expectativas

Se você foi abordado por um recrutador para uma vaga X, entenda que nesse momento já houve um interesse inicial em seu perfil. Isso significa que já existe alguém disposto a andar lado a lado com você no caminho de sua contratação. Logo, toda e qualquer instrução, dica, crítica ou orientação que vier a seguir, será a seu próprio favor, na direção desse objetivo. Mas se houver resistência de sua parte sobre os pontos levantados, ficará claro que não há interesse genuíno na vaga: Não se trata de certo ou errado, mas de sua adequação à vaga.

 

Alinhamento de portfolio

Partindo do pressuposto que você possui diversos tipos de trabalhos, a orientação é que os reordene por ordem de relevância à vaga em questão, mesmo que sejam projetos mais antigos, menos detalhados ou ainda protegidos por NDA. Isso acontece para evitar a análise de projetos sem relação com a vaga, ou ainda projetos para clientes mais significativos nos quais sua atuação não foi o objeto de avaliação. Esses casos podem levar o recrutador a um entendimento equivocado, te afastando do objetivo desnecessariamente.

 

Evitar sub-qualificação ou super-qualificação

Se a vaga requer um profissional mais analista, por exemplo, não será favorável apenas mostrar telas finais se o avaliador está em busca de entender sua forma de pensar, buscar informações, equilibrar hipóteses com fatos e construir uma opinião. Da mesma forma, não é ideal um aprofundamento muito grande, se a empresa contratante não tem a maturidade em design suficiente. O que precisa estar mais evidente é o objeto da análise, ou seja, o que a empresa busca no profissional, para que sua avaliação seja mais justa.

 

Trabalhar o discurso pessoal

Em determinados casos, UX/UI Designers acabam por dar mais importância a preferências pessoais do que as competências profissionais. A expectativa dos contratantes, em um primeiro momento, obviamente é apenas a profissional. Conforme o processo seletivo toma corpo e você avança nas etapas, as questões pessoais virão à tona, pois também fazem parte da avaliação. Além disso, é necessário estar muito claro a forma como você se define como profissional: Se a vaga é para UX Designer e você tem as competências para isso, será necessário remover outras definições que conflitam com o objeto da vaga, como Diretor de Arte Digital. 

 

Seja rebelde, não arrogante

Como já dissemos em artigos anteriores, seu comportamento diz muito sobre a postura profissional, e sua análise começa bem antes de uma entrevista. Para a empresa que contrata, é primordial identificar padrões comportamentais que podem se tornar um fator de risco, evitando problemas futuros. Entendemos que uma oportunidade de trabalho é na verdade a oportunidade da valorização de você mesmo(a). Alguém viu valor em você, e optou por pagar por seu tempo, experiência e inteligência. Ao menos em nosso setor, essa não é uma autoridade imposta: Quem trabalha a aceitou por espontânea vontade, e será recompensado por todo o seu esforço.

O que você está disposto a fazer para atingir o objetivo de ser contratado?

Você pode perfeitamente não estar de acordo com os processos de seleção, questionar os métodos das empresas e as decisões das lideranças. Mas não esqueça que para uma contratação acontecer, há primeiro a necessidade e o interesse da empresa em você, para então vir o seu interesse nela. Como um bom UX/UI Designer, você precisa ir a fundo, informar-se sobre todo o contexto, entender as expectativas e agir na direção correta para que uma conversão aconteça. Por isso, é esperado que a postura de um UX/UI Designer mediante a crítica construtiva sobre sua apresentação profissional seja de atenção, interesse e valorização, pois em todos os cenários, a conversão será boa para todos. 

 

Conclusão

Ao candidatar-se às vagas que busca, esteja preparado(a) para ser questionado e orientado. Mesmo que a contratação não aconteça, sempre há aprendizado, afinal os avaliadores são os usuários finais de sua apresentação profissional. Não espere que as críticas se repitam, mas aja rápido na direção da melhoria contínua de sua postura para o crescimento de sua carreira e notoriedade.

Mao Barros
Mao Barros

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