Evite turnovers em sua carreira de UX/UI Designer

A síndrome do impostor

Em nossa experiência como recrutadores focados em UX/UI Designers, como já falamos em artigos anteriores, encontramos candidatos que apresentam posturas bem distintas. Por algumas vezes o profissional se vende bem, mas na realidade não é metade do que alega; Por outras, o profissional não consegue se vender muito bem, mas quando lhe é dada uma oportunidade, ele mostra do que é capaz. Infelizmente, o ponto de equilíbrio entre esses dois cenários é muito difícil de se encontrar.

Nos atendo ao primeiro caso: o termo “síndrome do impostor” é mais conhecido fora do Brasil, e é um fantasma que assombra as empresas em geral. Todas tem receio de contratar e perceber que o profissional não é o esperado: Ou não tem as skills necessárias, ou não tem a experiência alegada, ou não consegue se adequar ao time / cultura da empresa. Já houveram casos de o profissional demorar certo tempo para ser “desmascarado” pela empresa, quando esta percebe que ele esteve se ancorando no resultado de seus colegas até que sua incompetência tomasse proporções visíveis. Quando esse ponto chega, tenha a certeza de que esse profissional dificilmente terá outra oportunidade.

Se você perceber que está no lugar errado, não arraste esse problema: Rapidamente comunique sua liderança sobre essa disparidade. Quanto antes esse ponto for esclarecido, menos prejuízo gerará para todos os envolvidos. Se você for sincero, sua atitude será louvada e a empresa provavelmente avaliará a possibilidade para te alocar em outra função ou projeto. Mas se você der espaço e corpo a esse problema, no final do dia, o culpado será você e todos sairão perdendo. Há uma máxima que empresas e líderes do mundo todo seguem:

“Contrate o caráter, treine as habilidades.”

Consequências de uma contratação errada

O prejuízo gerado por uma contratação errada sempre é maior do que imaginamos. Além das consequências óbvias, que são a perda de dinheiro e tempo, existe a perda humana, que é o principal problema. Listo abaixo 4 pontos principais, que são decorrentes desse cenário.

Você perde

Mesmo que nosso mercado esteja em crescimento acelerado, ele ainda é demasiadamente pequeno comparado a outros. Independentemente de seu status, todos estamos construindo uma reputação no mercado: Como citado em nosso artigo Como aplicar a uma vaga de UX/UI Designer, o principal indicador de nível de maturidade é a forma como outros profissionais o vêem. Logo, atente para o fato de que um problema grave de comportamento pode manchar essa reputação que você está construindo. Em adição, a comunidade de UX/UI Designers é muito unida, já que é composta por pessoas que se ajudam e automaticamente se conhecem. Não queira fazer a conta da velocidade de uma notícia ruim. Mesmo com toda a tecnologia aplicada de hoje, a indicação ainda é um pilar na hora de contratar.

O time perde

Uma vez que você se ausenta (seja por desistência ou por demissão), estando inserido a um projeto e interagindo diariamente com pessoas, é evidente que há impacto para os outros integrantes de sua equipe com sua saída. Até que a empresa encontre, avalie e contrate um substituto, as pessoas terão que trabalhar mais para cobrir a sua falta, o que vai prejudicar frontalmente sua produtividade e sinergia. Além disso, quando a nova pessoa chegar, ainda haverão de atualizá-la de todo o projeto e ter a paciência para dar o tempo necessário a ela se adaptar.

O projeto perde

Em decorrência do impacto na equipe, é uma reação em cadeia: Sprints podem ser adiadas, pesquisas serem atrasadas, protótipos serem entregues com erros, e claro, deadlines serem perdidos. Como resultado, a reputação de todo o time perante os stakeholders pode perder força, o que vem a um custo muito alto para reconstruir.

A empresa perde

Por fim, quem paga a conta no final do mês é diretamente afetado. Esse é um ponto que poucos UX/UI Designers levam em consideração: Quanto você custa para empresa? Quanto ela investiu para te encontrar, contratar, e logo (ter que) te desligar? Pensar apenas no seu salário é como ver a ponta do iceberg: Lembre-se que se não fosse a coragem, ousadia, determinação, foco, resiliência e muito suor dos fundadores e da liderança da empresa, não haveria projeto e você não teria sequer tido essa oportunidade.

Gestão de expectativas

Conforme citamos em Boas oportunidades: Como não perdê-las, existem pontos fundamentais para que não falte e nem sobre informação em cada momento do processo seletivo. Nesse artigo, listamos os erros mais comuns que acontecem antes, durante e depois de aplicar a uma vaga. Lembre-se sempre que o tempo a ser investido em você é extremamente curto, por isso ser prático e objetivo faz toda a diferença, e diga-se de passagem, esses fatores fazem parte da sua avaliação como um todo — Não pense que um portfolio atualizado e um currículo bonito são suficientes: O desafio aqui pontuado é surpreender em cada etapa, e gradativamente, construir a imagem real e ideal de você. Aos pontos:

Apresente-se bem, sem exageros

A forma como você aborda o recrutador já diz muito sobre você. Uns preferem não escrever nada, nem seu próprio nome; Outros, contam uma “breve” história de sua carreira. A medida certa nesse momento é simplesmente apresentar-se objetivamente, dizer como chegou à vaga e listar seus principais links (Portfolio e LinkedIn). Não custa dizer que é extremamente importante que esses links funcionem.

Para surpreender: seja rápido, objetivo e único, com um discurso claro.

Envie um material alinhado a seu momento atual

Como citamos no artigo Como aplicar a uma vaga de UX/UI Designer, de nada adianta mostrar sua vasta experiência anterior se ela não for de UX/UI. Se você deseja ser avaliado como um UX Sênior, seus cases devem ter a qualidade, a consistência e a profundidade esperados desse nível de profissional. Logo, tenha certeza de seu nível de maturidade, alinhe seus projetos a esse nível e somente aplique a vagas que pedirem exatamente esse perfil.

Para surpreender: Só envie um portfolio que você tenha orgulho e que saiba explicar cada vírgula de cada projeto.

Demonstre propriedade, segurança e experiência na entrevista

Estranhamente, muito poucos candidatos perguntam detalhes sobre a vaga antes de aplicar. Logo, quando vão à entrevista (o momento de ouro em que a empresa já está interessada), sabem tão pouco sobre a vaga que ficam perdidos nas respostas, ou ainda pior: percebem que estão no lugar errado, e que tomaram o tempo de outras pessoas em vão. Esteja mentalmente pronto, com certeza de sua experiência e propriedade sobre seus projetos para responder qualquer pergunta, e genuinamente interessado na vaga.

Para surpreender: Seja o primeiro a chegar, responda às perguntas com convicção e só fale quando lhe for dada a palavra.

Conclusão

Para evitar turnovers, deve-se pensar nele desde a aplicação à vaga. Seja claro sobre você mesmo, de forma a ajudar os avaliadores a terem a impressão correta sobre você. Perceber que está no lugar errado já estando no lugar errado é extremamente prejudicial não apenas a você, mas principalmente aos envolvidos em todo o processo.

Boa sorte!

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Entrei. Saí. Onde errei?

Evite turnovers em sua carreira de UX/UI Designer

A síndrome do impostor

Em nossa experiência como recrutadores focados em UX/UI Designers, como já falamos em artigos anteriores, encontramos candidatos que apresentam posturas bem distintas. Por algumas vezes o profissional se vende bem, mas na realidade não é metade do que alega; Por outras, o profissional não consegue se vender muito bem, mas quando lhe é dada uma oportunidade, ele mostra do que é capaz. Infelizmente, o ponto de equilíbrio entre esses dois cenários é muito difícil de se encontrar.

Nos atendo ao primeiro caso: o termo “síndrome do impostor” é mais conhecido fora do Brasil, e é um fantasma que assombra as empresas em geral. Todas tem receio de contratar e perceber que o profissional não é o esperado: Ou não tem as skills necessárias, ou não tem a experiência alegada, ou não consegue se adequar ao time / cultura da empresa. Já houveram casos de o profissional demorar certo tempo para ser “desmascarado” pela empresa, quando esta percebe que ele esteve se ancorando no resultado de seus colegas até que sua incompetência tomasse proporções visíveis. Quando esse ponto chega, tenha a certeza de que esse profissional dificilmente terá outra oportunidade.

Se você perceber que está no lugar errado, não arraste esse problema: Rapidamente comunique sua liderança sobre essa disparidade. Quanto antes esse ponto for esclarecido, menos prejuízo gerará para todos os envolvidos. Se você for sincero, sua atitude será louvada e a empresa provavelmente avaliará a possibilidade para te alocar em outra função ou projeto. Mas se você der espaço e corpo a esse problema, no final do dia, o culpado será você e todos sairão perdendo. Há uma máxima que empresas e líderes do mundo todo seguem:

“Contrate o caráter, treine as habilidades.”

Consequências de uma contratação errada

O prejuízo gerado por uma contratação errada sempre é maior do que imaginamos. Além das consequências óbvias, que são a perda de dinheiro e tempo, existe a perda humana, que é o principal problema. Listo abaixo 4 pontos principais, que são decorrentes desse cenário.

Você perde

Mesmo que nosso mercado esteja em crescimento acelerado, ele ainda é demasiadamente pequeno comparado a outros. Independentemente de seu status, todos estamos construindo uma reputação no mercado: Como citado em nosso artigo Como aplicar a uma vaga de UX/UI Designer, o principal indicador de nível de maturidade é a forma como outros profissionais o vêem. Logo, atente para o fato de que um problema grave de comportamento pode manchar essa reputação que você está construindo. Em adição, a comunidade de UX/UI Designers é muito unida, já que é composta por pessoas que se ajudam e automaticamente se conhecem. Não queira fazer a conta da velocidade de uma notícia ruim. Mesmo com toda a tecnologia aplicada de hoje, a indicação ainda é um pilar na hora de contratar.

O time perde

Uma vez que você se ausenta (seja por desistência ou por demissão), estando inserido a um projeto e interagindo diariamente com pessoas, é evidente que há impacto para os outros integrantes de sua equipe com sua saída. Até que a empresa encontre, avalie e contrate um substituto, as pessoas terão que trabalhar mais para cobrir a sua falta, o que vai prejudicar frontalmente sua produtividade e sinergia. Além disso, quando a nova pessoa chegar, ainda haverão de atualizá-la de todo o projeto e ter a paciência para dar o tempo necessário a ela se adaptar.

O projeto perde

Em decorrência do impacto na equipe, é uma reação em cadeia: Sprints podem ser adiadas, pesquisas serem atrasadas, protótipos serem entregues com erros, e claro, deadlines serem perdidos. Como resultado, a reputação de todo o time perante os stakeholders pode perder força, o que vem a um custo muito alto para reconstruir.

A empresa perde

Por fim, quem paga a conta no final do mês é diretamente afetado. Esse é um ponto que poucos UX/UI Designers levam em consideração: Quanto você custa para empresa? Quanto ela investiu para te encontrar, contratar, e logo (ter que) te desligar? Pensar apenas no seu salário é como ver a ponta do iceberg: Lembre-se que se não fosse a coragem, ousadia, determinação, foco, resiliência e muito suor dos fundadores e da liderança da empresa, não haveria projeto e você não teria sequer tido essa oportunidade.

Gestão de expectativas

Conforme citamos em Boas oportunidades: Como não perdê-las, existem pontos fundamentais para que não falte e nem sobre informação em cada momento do processo seletivo. Nesse artigo, listamos os erros mais comuns que acontecem antes, durante e depois de aplicar a uma vaga. Lembre-se sempre que o tempo a ser investido em você é extremamente curto, por isso ser prático e objetivo faz toda a diferença, e diga-se de passagem, esses fatores fazem parte da sua avaliação como um todo — Não pense que um portfolio atualizado e um currículo bonito são suficientes: O desafio aqui pontuado é surpreender em cada etapa, e gradativamente, construir a imagem real e ideal de você. Aos pontos:

Apresente-se bem, sem exageros

A forma como você aborda o recrutador já diz muito sobre você. Uns preferem não escrever nada, nem seu próprio nome; Outros, contam uma “breve” história de sua carreira. A medida certa nesse momento é simplesmente apresentar-se objetivamente, dizer como chegou à vaga e listar seus principais links (Portfolio e LinkedIn). Não custa dizer que é extremamente importante que esses links funcionem.

Para surpreender: seja rápido, objetivo e único, com um discurso claro.

Envie um material alinhado a seu momento atual

Como citamos no artigo Como aplicar a uma vaga de UX/UI Designer, de nada adianta mostrar sua vasta experiência anterior se ela não for de UX/UI. Se você deseja ser avaliado como um UX Sênior, seus cases devem ter a qualidade, a consistência e a profundidade esperados desse nível de profissional. Logo, tenha certeza de seu nível de maturidade, alinhe seus projetos a esse nível e somente aplique a vagas que pedirem exatamente esse perfil.

Para surpreender: Só envie um portfolio que você tenha orgulho e que saiba explicar cada vírgula de cada projeto.

Demonstre propriedade, segurança e experiência na entrevista

Estranhamente, muito poucos candidatos perguntam detalhes sobre a vaga antes de aplicar. Logo, quando vão à entrevista (o momento de ouro em que a empresa já está interessada), sabem tão pouco sobre a vaga que ficam perdidos nas respostas, ou ainda pior: percebem que estão no lugar errado, e que tomaram o tempo de outras pessoas em vão. Esteja mentalmente pronto, com certeza de sua experiência e propriedade sobre seus projetos para responder qualquer pergunta, e genuinamente interessado na vaga.

Para surpreender: Seja o primeiro a chegar, responda às perguntas com convicção e só fale quando lhe for dada a palavra.

Conclusão

Para evitar turnovers, deve-se pensar nele desde a aplicação à vaga. Seja claro sobre você mesmo, de forma a ajudar os avaliadores a terem a impressão correta sobre você. Perceber que está no lugar errado já estando no lugar errado é extremamente prejudicial não apenas a você, mas principalmente aos envolvidos em todo o processo.

Boa sorte!

Mao Barros

Mao Barros

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